Imagine um ovo fecundado, destinado a gerar uma nova vida. Imagine, em seguida, o ovo seco, frustrado em sua tentativa de gerar. Assim era o retrato de minha vida durante a segunda metade do mês de setembro deste ano de 2011. Exaurido, sangrando com o que já não possuía mais de sangue, sem capacidade de produzir um mínimo necessário para continuar vivendo. Assim chegou meu corpo ao Hospital de Clínicas em Porto Alegre.
Neste momento, inicia o que, como leigo que sou, posso me permitir chamar de milagre, mesmo respeitando, acima de tudo, a capacidade de trabalho e o conhecimento científico que detém uma equipe médica de competência inquestionável.
Este fato, aliás, é por óbvio a razão da enorme fama de centro de excelência médica que possui o Hospital de Clínicas da nossa capital. A primeira mão de anjo que me tocou trouxe com ela poderes divinos, em muito superiores a toneladas de conhecimento científico. O anjo dono da mão tem nome sim, é doutora Inara von Holleben, belíssimo ser de luz, fortíssimo espírito do universo. Ela praticamente me ressuscitou e me permitiu experimentar novamente o sopro da vida. Também deram-me o privilégio de sua atenção vários profissionais que merecerão de mim gestos de eterna e extremada gratidão. Doutora Karoline, doutor Rafael, doutora Patrícia, doutor Jerônimo, doutor Luciano. Dedico especial menção ao doutor Leonardo Bridi, que mostrou ser mais que um médico, um amigo, mais que um amigo, um sábio, mais que um sábio, uma alma protetora. Com sua voz segura e suave, coube a ele me mostrar o desafio que tenho pela frente: enfrentar um câncer já bem desenvolvido e buscar a cura possível, com coragem e persistência. Em cada palavra que sai de sua boca, o doutor Leonardo transporta credibilidade e uma incrível capacidade de vitória. Citando finalmente as presenças amigas do doutor Seiki e do doutor Tiago, certamente, devo estar esquecendo alguns nomes, de tão grande e expressiva que é a equipe médica do Clínicas. E também nem me atrevo a fazer citações individuais ao agradecer de todo o meu coração o carinho, a dedicação, a seriedade e a atenção generosa da equipe de base do HC, seu abnegado corpo de enfermagem e de técnica hospitalar. Eles são simplesmente sen-sa-cio-nais. Sim, temos na capital do Rio Grande um hospital digno de figurar entre os melhores do mundo. O HC é muito mais que um mero motivo de orgulho para Porto Alegre, é garantia de respeito e valorização da vida de cada habitante de nossa terra.
Um agradecimento especialíssimo à minha irmã médica, doutora Margaret, dona da primeira inspiração que me levou ao Clínicas e à minha outra irmã Bernadete, igualmente médica, que colocou na prática a ideia da maninha Marga. Agradecimentos especiais reservo também às minhas filhas, filhos e familiares, ao mano guru Mauro Kwitko e sua grande família ABPR, ao irmão Aristides Kucera, aos igualmente irmãos Nando Gross e Niederauer e ao pessoal do Sala de Redação e do Pretinho Básico, que prontamente apelaram aos microfones da RBS e às dezenas de doadores que atenderam seus chamados, somados aos milhares de amigos e amigas que enviaram mensagens de estímulo e alegria. À minha Lu, grande e insubstituível razão de ser, mais que gratidão, dedico todo o meu amor e sonho de existência. Tê-la ao meu lado se traduz em toda a vontade de viver que carrego comigo.
ENCERRANDO, AQUI VAI MEU BIG APLAUSO PARA ESTE BIG HOSPITAL, QUE PROVOU TALENTO E EFICIÊNCIA MAIS QUE SUFICIENTES PARA DEVOLVER UMA VIDA AO MUNDO. PROVOU SER CAPAZ DE DAR UMA NOVA VIDA AO OVO.
PS.: No próximo dia 18 de outubro, terça-feira, a doutora Inara comemora seu aniversário. Receba de nossos corações os mais agradecidos e ternos abraços, com votos de muita sorte, saúde, sucesso e sabedoria.

