Felicidade. E a sua, como vai?

Razão alguma nasce sem seu objetivo primordial: satisfazer ao dono.
Alexandre, de sua acanhada Macedônia e eivado de aristotélicas tergiversações, deu a si o sonho de imperar sobre o mundo e se fez “o Grande”. Morreu covarde e miseravelmente envenenado com pouco mais de trinta anos, sem nem saber direito o que estava fazendo na festa.
Dumont deu literalmente asas aos seus sonhos, circundou a “Tour Eiffel” para, no fim de sua breve história, se pendurar pelo pescoço até a morte, num medonho simulacro de puxão de orelha em si mesmo.
Virgínia Woolf se arrastou lentamente pelas águas de um rio até submergir. Aos 59 anos, reconhecida e prestigiada autora inglesa, a tristeza fez dela mais uma de suas ilustres vítimas. Não à toa, o vazio interior é o ingrediente que mais fermenta e inflama na corporificação das tragédias.
Eu poderia citar outras histórias com final infeliz por milhares e milhares de anos a fio, sem pausa nem para ir ao banheiro.
É notória essa característica da civilização humana.
A felicidade insiste em se mostrar quase sempre inatingível.
O erro está em pular para alcançá-la. Ela mora nas solas dos pés, nas palmas das mãos, no céu da boca, na sombra das pálpebras.
Se alguém necessitar de um passo maior que as pernas, de um abraço maior que sua envergadura, ou de um beijo de dentes bonitos, jamais tocará n’Ela. Ela, a felicidade, é imaterial. É a mais convincente argumentação a respeito da existência da alma. Se Deus existe, Ele é Ela. Se Ela existe é a Ele que dedicamos nossa gratidão.
A origem se registra quando se busca por Ela. A eternidade se plasma quando se finda n’Ela.
Como tenho a agradecer, com toda a energia de meu coração, pois Ela me tornou seu quando eu ainda nem sabia o que era tocá-la.

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